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| Crianças e Animais de Estimação - ensinar a responsabilidade |
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Uma mãe ofereceu ao filho de seis anos um porquinho-da-Índia pelo Natal. A ideia era a criança "aprender a ter responsabilidades tratando dele". O miúdo queria mesmo era um cão, mas a mãe achou que era melhor começar com algo mais pequeno, que não desse muito trabalho…
Um ser vivo não deve ser transformado em brinquedo educativo…
Como ensinar, então, uma criança a ser responsável?
Dar o exemplo
Não se pode ensinar a responsabilidade dando a uma criança uma tarefa maior do que as suas capacidades. Os pais podem dar tarefas ligadas a alguns cuidados ou actividades a ter com o animal, dando o exemplo, mas sem que haja dúvidas sobre de quem é a responsabilidade final sobre esse mesmo animal.
Ao decidir "dar" à criança um animal de estimação a pergunta deve ser: O adulto quer mesmo ter um animal de estimação?
Responsabilizar-se pelo animal
À criança deve ser dito que não se pode ter um animal sem ter a idade necessária para tomar totalmente conta dele. Tomar conta dele não é apenas dar-lhe de comer, limpar o seu espaço, providenciar o seu exercício. Tomar conta dele é também poder (e querer) gastar dinheiro com ele, poder (e querer) deslocar-se ao veterinário e dispor do espaço adequado para o animal viver com qualidade durante todo o seu tempo natural de vida.
Estes critérios excluem, assim, as crianças, os adolescentes e muitos jovens adultos. Certo, e excluem também (infelizmente) muitos adultos.
O animal é que paga…
Dar um animal para uma criança "tomar conta dele" é um desviar da atribuição da responsabilidade e pode ter consequências negativas (também) sobre o animal.
Essas consequências vão desde a má alimentação aos maus tratos e culminam no abandono: "A minha filha cresceu, saiu de casa e já não acha piada ao bicho… E eu não tenho paciência para tratar dele.". E o animal, de meia idade, dificilmente será adoptado.
Quem será responsável? Quem achou amoroso um gatinho bebé? Quem se esqueceu do tempo médio de vida do animal? A responsabilidade foi delegada na filha, que não estava à altura.
A esperança de vida do animal
Cada animal tem as suas características próprias, hábitos e necessidades, que devem ser maduramente ponderados. Para além disso, cada espécie tem uma esperança de vida média que deve ser considerada. O adulto responsável deve ter consciência destes factores e assumir o animal de estimação com a responsabilidade necessária a quem tem de cuidar (bem) de um ser vivo.
Podem ponderar-se alternativas, até porque as condições que, a dado momento eram ideais ou adequadas, podem mudar - mas o bem-estar de todos deve ser garantido: pessoas e animais.
Ensinar a irresponsabilidade
A triste verdade é que muitos animais vivem nas condições que são escolha/conveniência das pessoas e muitas vezes demasiado inadequadas aos hábitos naturais do animal.
E diz o adulto: "Estou a ensinar o meu filho a ser responsável. Ele tem de tomar conta do animal sozinho."
Se faltar a água, se o animal estiver sujo, se a comida for pouca, inadequada ou demasiada, se o animal estiver adoentado ou infeliz - se o animal "viver" no quarto da criança, por exemplo, será que o adulto se apercebe?
Na verdade, esse adulto está a ensinar que é aceitável pôr a vida de um ser vivo nas mãos de quem pode (ainda) não ser responsável para se ocupar (sem ajuda) dele.
E isso é ensinar a irresponsabilidade.
Afinal, é bom ou não "dar" um animal de estimação a uma criança?
É bom, claro, mas deve reflectir-se em conjunto sobre as implicações de o ter - é um ser vivo.
O animal "é" da criança, mas o adulto tem de estar perfeitamente consciente de que é ele que se tem de responsabilizar, em última instância, por "ter" o animal.
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