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| A Casa da Morte (2º episódio) |
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Episódio 2
Na manhã seguinte, a Joana começou a gritar desalmadamente. O João foi a correr para ver o que se passava.
- Por que gritas?
- Uma cobra! - exclamou a Joana.
- Tão pequena, estás com medo disto?
- É enorme!
- Cala-te! Só tem um palmo...
- João! João! João! - gritava o Diogo.
- Já vou, já vou... O que foi? - interrogou o João.
- O Faial e o Rex desapareceram! Vai chamar os meus irmãos, a Inês e os nossos amigos. Diz-lhes para irem ter comigo ao pé da grande rocha.
- Ok! - disse o João, que já lhe cheirava a aventura.
- Alguém viu o Faial e o Rex?
- Não... Não... Não... Não! - responderam todos.
- Olhem, pegadas de cão.
- Vamos segui-las! - Disseram o Diogo e o João.
Começou a anoitecer e os nossos amigos nada encontravam. Pararam para comer umas coisas que o Romeu e o Luís Sousa se tinham lembrado de trazer, no caso de acontecer algum imprevisto.
- Não passámos já por esta árvore queimada? - perguntou o Rui aos seus companheiros.
- Acho que devemos passar aqui a noite, pois se continuarmos à procura, vamos perder-nos aqui para sempre.
- Dormir ao relento, ao pé destes bichos? - interrogaram-se a Inês e a Joana - Nem pensar!
- Não sejam medricas... - ralhou o Romeu.
Acabaram todos por concordar, ao fim de um tempo de discussão. Acenderam uma fogueira, pois o tempo tinha arrefecido. Começaram a falar sobre os cães e como é que eles tinham desaparecido.
Na manhã seguinte, a Inês queria falar novamente com o seu irmão e os seus três primos sobre o seu sonho naquelas três noites.
- Mano! Primos! Venham cá! - chamou a Inês.
- O que foi agora?
- Oiçam, começo a ficar preocupada... Já sonhei a mesma coisa três vezes.
- Sendo assim, também me começo a preocupar - disse o João com um ar sério.
- Sim, a coisa já exige algum respeito... - acrescentou o Diogo.
- A nós também! - disseram os outros dois.
- Continuo a dizer que o meu sonho parece real. Mas, sabem, o mais estranho é que o bosque do meu sonho parece ser este.
- João! Inês! Pedro! Bruno! Diogo! - gritava o Palecas - Vocês já comeram?
- Não, mas também não há tempo a perder, pois temos de encontrar os cães e o nosso acampamento antes de a noite cair.
Continuaram a seguir as pegadas de cão, até que...
- Oh não, as pegadas acabaram porque há um rio a separar esta margem da outra - disse o Bruno, desesperado.
- Bolas!
- Olhem, uma jangada! - disse o João com grande alegria.
- Vamos atravessar o rio com ela - disse o Diogo.
- Espera... Espera! - ordenou o João - Ao todo somos dez e a jangada só leva cinco, porque é muito pequena.
- Bem pensado - concluiu o Rui.
- Na primeira vez vão: o Bruno, o Diogo, o Pedro, a Joana e a Inês. Na segunda vão: o João, o Palecas, o Rui, o Romeu e o Luís Sousa.
Lá foram os primeiros cinco. A corrente estava forte, mas lá se conseguiram desenrascar.
- DIOGO! - gritava o João da outra margem - Lança para este lado, a corda que está amarrada à jangada!
- Ok!
Com grande esforço, lá conseguiu. E lá foram os cinco restantes.
- Estão cá todos? - perguntou o João.
- Sim... Sim!!!
- Que sorte! Nesta margem também há pegadas.
- Ok, ao trabalho.
- Mano! Primos! - chamou a Inês.
- O que foi? - responderam os quatro.
- Tenho a certeza que já estive neste bosque...
- Quando? Como? - perguntou o Pedro, curioso.
- Não sei, mas tenho a certeza que já cá estive.
- Tenta lembrar-te!!! - disse o João.
- Já sei! - gritou a Inês, que de imediato assustou os primos e o irmão.
- O quê? - perguntaram.
- No meu sonho, e se não me engano, este caminho leva-nos àquela casa de que eu vos falei.
- Qual, aquela com campas em redor?
- Sim, essa mesma.
- Não me interessa, eu só quero encontrar o Rex e o Faial - disse o João assustado.
E lá foram os dez companheiros, em busca dos seus cães que tinham desaparecido. De repente...
- Ão, ão, ão, ão!
Para grande alegria de todos, eram o Rex e o Faial, que traziam grandes coelhos na boca.
- Rex, Faial! Onde é que andaram, seus malandros? - ralharam o João e o Diogo.
- Primos! Mano! De acordo com o meu sonho, atrás daquele penedo situa-se a CASA DAS CAMPAS. Meu Deus, o que é que fazemos? - perguntou a Inês.
- Já que aqui estamos, vamos ver se esse sonho é mesmo real! - disse o Diogo com coragem.
- Não! Não façam isso... - pedia a Inês, amedrontada.
- Porquê? - perguntou o Pedro.
- Porque, se for verdade, também pode aparecer aquele som vindo do bosque.
- Ei, ei! - exclamou o Rui, interrompendo a conversa - O que é que vocês estão para aí a dizer?
- Está na altura de lhes contarmos tudo, pois, se for verdade, é melhor estarmos todos prevenidos.
E assim o fizeram. Ao fim de um bocado, todos os seus amigos estavam perplexos perante o que tinham acabado de ouvir.
- Então, vamos lá ou não? - perguntou o Palecas.
- Bute lá!!! - disseram todos.
Atravessando para lá do penedo, os dez amigos ficaram pasmados. A casa estava mesmo lá, com campas e tudo!
- Não é possível! - exclamou a Inês, admirada.
- É melhor afastar-me de ti, Inês! Deves ser bruxa... - disse o Luís Sousa.
- Não sejas cromo, puto! - respondeu a Joana, defendendo a sua amiga.
- Entramos? - perguntou o João, engolindo em seco.
- És doido, já é noite... Vamos mas é dormir.
- Nem penses - disse a Joana.
- Também acho! Ao pé destas campas todas, nem o Diabo dormia.
Ao dizer aquilo, um grande trovão rompeu os céus. Isso só queria dizer uma coisa, fortes chuvas e trovoadas aproximavam-se.
- Depressa, vamos construir uma cabana para passarmos a noite - sugeriu o Diogo.
- Ok!
- Dividam-se em pequenos grupos para irmos buscar canas, ramos secos, lenha e caruma, para construirmos a cabana e fazermos uma fogueira. Alegrem-se, pois hoje o nosso jantar vai ser coelho!
- Fixe! - exclamou o Bruno, contente.
Passaram-se duas horas e a cabana já estava feita. O cheiro a coelho assado, penetrava nas narinas de cada um.
- Venham comer, venham comer! - gritava a Inês.
- Então, passando ao assunto da CASA DAS CAMPAS...
- O que estarão aquelas campas ali a fazer?
- Por que não estão no cemitério?
- E aquela casa, o que será e de quem será?
- Não sei, mas mete arrepios...
Uma conversa cheia de perguntas, prolongou-se pela noite a dentro.
Na manhã seguinte, Inês acorda dizendo que tinha tido um sonho naquele bosque, mas desta vez tinha sido dentro da CASA DAS CAMPAS.
- O que foi que viste dentro da casa? - perguntaram os seus companheiros.
- Móveis antigos, quadros... Muitos quadros que metiam medo. Mas o que mais me assustou, foi aquele som estranho de novo. Mas desta vez, não vinha do bosque, vinha da escuridão da casa.
- Bem, começo a ter medo de lá entrar! - disse o João, amedrontado.
- Eu também!
- Sim, eu também!
- Não receiem, temos de lá entrar. É como se o nosso instinto de aventureiro o dissesse!
- Sim, vamos lá!!! - disseram todos.
- Vamos! - gritaram.
No patamar da entrada...
- Vamos, não podemos desistir agora.
Autores: Clube das Trevas
- Diogo Poupado, 12 anos, Ourém
- Bruno Poupado, 10 anos, Ourém
- Pedro Poupado, 8 anos, Ourém
- João Paulo, 13 anos, Torres Novas
- Maria Inês, 10 anos, Torres Novas
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