Barcos de Pesca


Claro que para pescar até um bequeno bote de borracha serve... Dependendo do local onde se quer experimentar essa difícil arte, claro.

Desde os pequenos barcos de madeira para pescar perto da costa até aos grandes arrastões, há muitos mais tipos de barcos, de vários tamanhos e, alguns, até, típicos de um local ou de um país.

Infelizmente, os barcos tradicionais portugueses que apenas usavam remo e vela estão a desaparecer, como barcos de trabalho, ou já desapareceram todos. Ainda existem alguns exemplares de pequena dimensão, como as bateiras e os catraios do Tejo. Os grandes transformaram-se em barcos de turismo ou recreio.

Por sua vez, a crescente procura de produtos do mar obrigava os armadores a navegar cada vez mais longe, em busca do peixe. Assim, na pesca de longa distância, os barcos à vela foram sendo substituídos por barcos a vapor, que permitiam ir mais adiante e pescar maiores quantidades. Hoje em dia, os navios de pesca modernos são verdadeiras fábricas flutuantes!

Traineiras

É a evolução do barco de madeira simples a remos para algo com cabine, porão e motor. Tem tamanhos variados e pesca sem se afastar muito da costa.
Traineiras de madeira, há-as de muitas formas e feitios. Muitas são evoluções dos barcos tradicionais portugueses, outras são resultado de adaptações mais ou menos livres, que ocorrem da experiência dos Mestres, Patrões e Pescadores. Existem unidades enormes ou pequenas traineiras que mais parecem de brincar.
No Tejo há embarcações destas que são praticamente uma canoa com motor e cabina.

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As traineiras permitem a pesca com linha e anzóis, também chamada pesca por palangre, em que se utilizam anzóis num fio de nylon que, por sua vez, está preso a um aparelho designado por linha-mestre. Este aparelho, cravado de anzóis, vai sendo largado pelo barco até que a linha perfaça vários quilómetros de comprimento e desça até ao fundo do mar, onde permanece algumas horas. Após a captura do peixe, puxam-se as linhas para bordo.
O palangre pode classificar-se em dois tipos: de profundidade e de superfície.
O palangre de profundidade serve para pescar peixes que se encontrem perto do fundo do mar, como por exemplo a pescada ou o bacalhau.
O de superfície serve para capturar peixes que vivam mais próximo da superfície, como o atum e o peixe-espada.

Fragatas


A fragata é o mais conhecido barco do Tejo. Mas, face aos desafios da pesca moderna, deixaram de ser utilizados e vêem-se apodrecer às dezenas barcos espectaculares. Foram substituídos por traineiras e outros barcos de pesca industrial.

Caíques

Os caíques são barcos com um grande passado. Faziam regatas, no Tejo, na década de 60 do século XIX, organizadas pela Real Associação Naval. Esses barcos herdaram uma característica importante, dos caíques tradicionais, o aparelho de dois mastros
com armação de bastardo, uma de cada bordo, podendo navegar "em borboleta"
quando com vento à popa.

Outra característica, igualmente com origem nos caíques tradicionais; os lemes por dentro. Geralmente relacionados com o Algarve, os caíques tradicionais subiram a costa portuguesa, tendo tido uma forte expressão em Cascais. Hoje, à excepção do projecto de construção de réplica da Câmara de Olhão, não existem caíques originais em Portugal.


Arrastões

Na pesca por arrasto utilizam-se barcos designados por arrastões. Estes carregam uma rede em forma de cone, que é arrastada pelos mares durante a faina. Esta rede é segura por cabos e portas, que se mantêm abertas durante o arrasto. Existem diversos tipos de arrasto, dependendo da espécie e do tipo de arrastão utilizado, mas pode dividir-se em dois géneros: o arrasto de profundidade e o de superfície.

O arrasto de profundidade utiliza-se para a pescada, o bacalhau, o tamboril ou o linguado, que são peixes que vivem
perto do fundo do mar.
O arrasto de superfície (ou de meia água) utiliza-se para pescar peixes que se encontrem mais à superfície.
Usam-se vários tipos de redes, como as redes de cercar (que envolvem o peixe pelos lados e por baixo) e as redes de emalhar e de enredar (onde os peixes ficam emalhados e ou enredados).


Bacalhoeiros


Os bacalhoeiros tradicionais eram lugres, barcos com mastros (até quatro) e iam pescar o bacalhau aos mares frios da Terra Nova.
Continham vários botes mais pequenos, chamados "dóris", as pequenas embarcações a bordo das quais os pescadores iam para a faina (o bacalhau pescava-se à linha, um a um!), regressando ao barco-mãe quando o dóri estava cheio.


Baleeiras

Era hábito, por volta de 1750, os baleeiros americanos, sobretudo da Nova Inglaterra,
fazerem escala nos Açores e contratarem marinheiros portugueses para a faina no alto mar. Esta relação entre os marinheiros portugueses e americanos durou até 1920.
Alguns açorianos acabaram por emigrar para o Novo Mundo, outros resolveram importar técnicas e estabelecer negócio por conta própria.

Assim os botes, canoas ou flechas, foram inspirados nos que eram utilizados na Nova Inglaterra (EUA) nos séculos XVIII e XIX.
As baleeiras portuguesas são essencialmente mais estreitas,
mais leves e mais rápidas.
Diz-se que a primeira baleeira construída nos Açores foi lançada à água em 1896. Pouco tempo depois haveria mais de 60 baleeiras entre a ilha do Pico e S. Jorge. No Faial e na Terceira também existem algumas baleeiras.